Eu ia só fazer um comentário no post do Alexandre, mas resolvi dar a minha opinião aberta mesmo, doa a quem doer.
Estávamos juntos outro dia (ou outros dias, estamos sempre juntos...) enquanto a Jade assistia "Os Incríveis". Uma bela hora, a mãe do desenho explica pro filho que todo mundo é especial, cada um à sua maneira, ao que o filho responde: "Dizer que todo mundo é especial é só mais uma maneira de dizer que ninguém o é". Tapa de luva na nossa cara.
Eu cansei de ser "especial".
Passo pelo mesmíssimo problema do Alexandre. Sempre nos envolvemos com as pessoas, que entram em nossas vidas meio sem querer, mas sempre porque queremos. Queremos companhia. Para ir ao samba, ao baile gaúcho, ao supermercado, ao atacado de 1,99, às festas horríveis que nossos amigos inventam, às festas maravilhosas que imaginamos que os amigos do "outro" dão. Para ir ao médico junto, para ficar na ante-sala do dentista sentindo as dores por ele. Para não ir a lugar nenhum também, para ficar em casa vendo "Lost", para espremer espinha nas costas, para dormir até o meio-dia no domingo, que é um dia tão podre que é melhor acordar na metade dele, e o parceiro deve ter a mesma idéia; detesto gente que corre no parque no domingo, achando que por causa dessa atitude vai salvar-se das merdas que fazem a semana toda.
Queremos gente que não finge ser politicamente correta (ou pior, que o são realmente!). Gostamos de pessoas maliciosas, maledicentes, fofoqueiras até. Não queremos gente malvada, prestem atenção! Só gente que não tenha medo de dizer o que estão pensando, que não tenha medo de fumar, de beber, de chorar, de chorar de beber. Gostamos de ciúme, que faz uma bem danado saber que alguém te quer e vai fazer de tudo para não te perder, até barraco. Gente que goste da nossa presença, da nossa opinião, que dê sua opinião também e de preferência que discorde da nossa, que é pra exercitar o que fazemos de melhor, que é argumentar, advogar em nossa causa. Não há problema algum em dar o braço a torcer, desde que a proposta faça sentido.
Queremos gente pra dormir e acordar do lado. Gente pra fazer sexo, mas não só. Queremos gente pra dizer que "já passou" quando temos medo. Porque medo a gente sempre tem, teve, vai ter.
O que eu não consigo, de verdade, é entender o medo dos nossos parceiros. Medo de ser feliz. Medo de ser feliz ao nosso lado. Você pode até achar estranho que eu fale na segunda pessoa, mas é que eu e Alexandre passamos por essa situação SEMPRE. É sempre assim: "olha, eu te adoro, adoro ficar com você, mas não dá. Eu tenho medo do que sinto por você, acho que isso vai acabar me fazendo mal, e eu não quero te magoar, você é muito especial pra mim". Ou então: "olha, eu já tenho outra pessoa, não consigo me separar dela porque (daí os motivos variam, mas estão sempre em primeiro plano) mas, se algum dia eu conseguir me livrar dela, eu te procuro". Nós queremos gente que se jogue de cabeça, que mergulhe fundo.
Você pode pensar que nós não fazemos nada para que isso mude. É sua opinião, será respeitada. Eu, por exemplo, já tentei de tudo. Já me fiz de santa, pra não ser chata. Namorado quer ir jogar bola? "Vai, amor, não se machuque, marca um gol pra mim" (isso se eu não for torcer!). Namorado quer sair com os amigos? "Vai, amor, me traga um chocolate quando vier". Para não ser chata, para não ficar posando de pentelha, arrastando os caras pra longe de mim.
Já fiz a babaca também. "Quem é essa?", "Ah, mas não vai mesmo! Sem mim, não sai de casa!". Arrastei os caras pra mais longe ainda. De um ano pra cá, resolvi ser eu. Nem uma coisa nem outra, apenas não me faço de boba pra não chatear, nem faço escândalo desnecessário. Resultado: nada! Mais um namoro terminado (nem contei isso aqui, né? mas agora já era), mais um homem casado na minha vida (que tem que ficar casado por causa dos filhos, blá, blá, blá, mas que adora ficar comigo, blá, blá, blá, mas que, assim que resolver a vida dele, me procura, blá, blá, blá, o discurso de sempre). Sempre mais do mesmo.
Tô cansada também. Vou acabar casando com o Alexandre mesmo, é o que nos resta.
Iasmin, de cara.