Atendendo ao seu pedido - nem sei se foi um pedido, eu é que gostaria de acreditar nisso - apareço para dar notícias mais recentes. Digo "ao seu pedido" porque a pessoa à qual me refiro sabe que é com ela que estou falando especificamente.
O português deu uma caída, mas estou pouco me lixando com as convenções que eu mesma imponho a mim. Fui vencida pelo meu escrúpulo, finalmente. Devolver o troco errado, pedir coisas emprestadas e retornar com elas à sua origem, não fazer escândalo em locais públicos, saber perder - principalmente meus amores -, calar quando existe a possibilidade de ofender alguém, todas atitudes inúteis, que não me levaram a lugar nenhum. Minto, me levaram à bancarrota, à solidão, à mesmice, ao tédio, à vontade de morrer.
Estranho até a palavra vontade. Não tenho vontade de fazer nada, nem coragem também. Na verdade, não tenho estímulo. Acostumei-me tanto aos erros que cometi (e ainda cometo, eu não aprendo) pelo meu caminho que, quando começo uma nova jornada, já tenho a desculpa pronta para dar na hora em que der errado, o que fatalmente acontecerá. Me acostumei a perder.
Não te procuro, não quero ver. Eu o vejo, não apenas totalmente esquecido de mim, mas fazendo planos com outra pessoa. Planos reais, com começo, meio e fim. Das muitas dores, essa é a maior (*Thanks, Fal). Comigo ninguém faz planos, talvez eu não mereça. Mas a melhor piada do ano é me mudar e ir morar numa rua com exatos 58 ipês amarelos nas três quadras pelas quais tenho que circular indo e vindo do trabalho, sem escapatória. Ironia deve ser isso, muito parecido com ferida ainda aberta e que não vai me deixar em paz. Provavelmente para não me deixar esquecer o meu erro mais bonito. Eu contei os ipês, sim. Talvez eu goste dessa dor. A cor? Eu detesto.
Não estou me lamuriando, como também não o fiz ao telefone hoje à tarde/noite com você. Foi estranho ouvir sua voz, pareceu-me que eu ia te encontrar na Dias da Cruz dali a meia hora. Essa sensação de que o tempo não passou pra mim me enlouquece.
Não sei o que ainda te carrega a este espaço. Deve ser o que me carrega diariamente ao seu perfil do Orkut. Vou lá, leio os recados que deixam pra você, fico sabendo dos lugares onde você poderia estar, rio quando alguém se atreve a deixar um "clique aqui" e eu consigo vê-lo antes de você deletar, imagino sua cara praguejando contra essa gente desatenta. Eu também já fui desatenta com você e sei o que acontece depois. Nada.
Pronto, já me perdi. De novo. Mas é sempre assim, fazer o quê? Um dia eu me acostumo tanto que desisto. Como já me acostumei a não ter você, é muito fácil, acredite.
I.




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