O Alexandre finalmente deu o ar de sua graça, resolveu blogar! Pensei até que tinha sofrido algum acidente, alto, moreno, bonito, daqueles que fazem um homem gemer sem sentir dor... Pelo o que me parece, ele não gostou nada de ter feito este blog, só o fez para me deixar feliz.
Lá em Neverland, como de praxe, aconteceu algo escroto de manhã, só porque eu estava lá. Estragou o portão de entrada de carros, hohohohohoho. Comentário de pobre: ainda bem que eu ando à pé... Mas o pior evento da semana foi protagonizado por Orieta, a amiga do Alexandre, para variar se metendo na vida alheia.
A criatura, doravante chamada de Zizi, usa Red Bull como desodorante (após alguns instantes, te dá asaaaas!). Mudou-se para Neverland no mesmo dia que eu, vivia fazendo bolos e cafés para mim, saíamos para fumar juntas na porta do bloco, estávamos sempre ao lado uma da outra em reuniões de condomínio. Aos que me conhecem, comportamento estranho, fora isso de fumar fora de casa. Detesto bolo sem ser confeitado, não tomo café para não dar intimidade para preto (mentira, morro de vontade de ter um quilombo só para mim...) e não sou dada a demonstrações de afeto públicas. Mas como Neverland era desabitado, era o que me restava.
O Alexandre, dono de uma mente imunda como o c* dum porco, achava que nós tínhamos um caso devido ao relatado. Quando ele percebeu que eu sou até meia galinha (exatamente como ouvi das minhas queridas do ônibus nestes dias, estava com saudades delas; ainda não falei das queridas? breve!), desisiu de tentar me fazer abrir uma passagem do meu apertamento para o dela, porque a vaca mora no apertamento acima do meu.
Pois então, a criatura é feia como bater na mãe por causa de comida e ainda ficar de pau duro por causa disso, fede como um trem da Central e é chata como ser encoxada no ônibus. Aliás fui encoxada ontem de manhã, mas conto esta história outro dia, estou abalada emocionalmente... Então, maconha eu dizia, com toda esta falta de atributos interessantes, é óbvio que a mulher não tem quem lhe faça favores, como direi?, internos para ela. Resumindo, ela é uó, que em matéria de classificação social é como ser um pária na Índia, tem comportamento uó, se veste com uns oxós uó, não dá para ninguém porque é uó, consequentemente a vida dela é UÓ. Se eu, que sou linda, gracinha e cheirosa não dou, é até crime saber que ela deu...
Bão, face o exposto, essa racha uó não podia ter nada melhor para fazer, é claro, do que se meter na vida alheia. Apenas esquece de um detalhe importantíssimo: essa é a mania dela! Nós falamos da vida dos outros, mas comentários sobre a roupa, o macho que estão catando ou não, o se ouve musicalmente nos apertamentos vizinhos, quem chegou bêbado, estas coisas. Cortei relações com ela desde o incidente que ela jura ter visto, o meu beijo de língua no porteiro Ary. Porteiro este que ela quer mandar embora de qualquer jeito porque não dá a ela a atenção merecida, se é que vocês me entendem...
Mas eu devia ter cortado a tal da relação quando ela arrumou um meio de uma outra vizinha nossa ser mandada embora, ou quando ela fez uma fofoca com a Vovó (não me lembro agora o que foi, mas foi grave), ou quando ela tumultuou todas as reuniões de condomínio em que compareceu, ou todas as vezes em que eu tive que ouvir "Chalana", que eu acho que já ouvi mais do que "parabéns pra você". Mas eu sou uma pessoa muito crédula. Para quem não sabe, crédula quer dizer imbecil.
Pois então Zizi, por pura falta de roupa para passar, ontem resolveu meter-se na criação do filho da vizinha Sirlene, que junto com a Pequena Eva faz a dupla de mulheres mais tinhosas de Neverland. A Zizi disse que ia chamar o Conselho Tutelar, seja lá o que isso for, para denunciar que o filho da Sirlene não vai para a escola, vive largado pela rua, que se a mãe era uma biscate o menino não podia ser penalizado por causa disso, patati, patatá. Exigiu dos porteiros, da zeladora e do Do All de Neverland que os passos do infante sejam monitorados e ela seja avisada da próxima vez que o piá não vá para a escola. Evidentemente, a Pequena Eva ligou para a Sirlene que veio fazer ontem à noite um barraco embaixo de minha janela, já que Zizi mora sobre de mim.
Aí, ela uniu o inútil ao desagradável, e resolveu logicamente me comunicar que vai depositar o valor do condomínio em juízo, que é a única coisa que ela pode fazer ness história. Tudo muito lógico, não sei como eu não tinha pensado nisto antes!
Como diria Nanize: Sem querer fui me lembrar / De uma rua e seus ramalhetes / De Orieta e seus joanetes / Quanta saudade...
E eu é que tenho psiquiatra!
Iasmin, rica, bonita, magra e Odorica Paraguassu (bem-amada)